E no dia 18/10/2017 foi realizada a final do Hackaton Acadêmico da Embrapa 2017. Participei do evento e descrevo abaixo a minha visão do evento. Os argumentos abaixo são apenas minhas opiniões pessoais e não refletem a opinião, posição da Embrapa ou de qualquer outra instituição.
E o que é um Hackathon?
Em essência esse termo engraçado é uma maratona de programação, com foco na solução de problemas específicos de interesse do patrocinador do evento. No caso da Embrapa o Hackaton foi nacional e ocorreu em diferentes regiões do país cada uma com um objetivo. Na parte que me coube desse latifúndio o objetivo dessa maratona foi o desenvolvimento de jogos e peças educativas para posterior aplicação no site infanto-juvenil da Embrapa. Do ponto de vista da administração pública um hackaton é um concurso, mais uma das muitas formas de licitação, mas também é uma oportunidade para quem está dentro da empresa conhecer o que as universidades podem oferecer de solução. Isso é especialmente importante num tema que a empresa conhece muito pouco: o desenvolvimento de jogos digitais. Assim, o Hackathon é uma ótima oportunidade para conhecer idéias novas, gente que pensa fora da caixa corporativa especialmente numa área que está longe do foco, do core business da empresa, mas pode um instrumento ser útil para atender os esses objetivos.
Minha parte no latifúndio
Como eu já estou trabalhando com jogos educativos (ainda que ache esse termo um tanto vago). Fui inicialmente chamado para ser um “padrinho” alguém que ia ajudar os participantes a desenvolver os seus jogos.
O evento também foi uma oportunidade para empregar o meu documento 305 que discute justamente sobre o uso de jogos e suas possibilidades para a pesquisa agropecuária e transferência de tecnologia. Foi legal ver um documento escrito em 2011 ainda render frutos em 2017.
Com essa e mais algumas contribuições acabei sendo convidado à participar da comissão de julgadora. O que foi um desafio bem interessante. Afinal, era preciso detalhar as definições do edital, que era genérico para o país todo. E criar um sistema de avaliação capaz atender a necessidade específica de jogos eletrônicos educativos. O que rendeu umas boas rodadas de reuniões e a comissão avaliadora teve de trabalhar de forma multidisciplinar para atender ao desafio. O que me deixou satisfeito foi que conseguimos criar um sistema que permitiu avaliar um longa gama de itens, fosse capaz de criar colocações entre os concorrentes de forma clara e ao mesmo tempo impessoal. Posso dizer tranquilamente que não ocorreu nenhum caso de vitória “por meio décimo de ponto”.
A maratona
Surgiram várias idéias interessantes e outras nem tanto. Mais uma vez observei a dificuldade que o Mattar já abordou muito bem: como é difícil fazer com que designers de jogo e planejadores educacionais trabalhem em conjunto para produzir algo equilibrado. Durante as apresentações ouvi apenas uma equipe falar em alguma teoria de aprendizagem, ainda que algum entendimento de como a aprendizagem funciona me pareça essencial para se criar jogos educativos. Se o excesso de foco no didático, o que gosto de chamar de “ganância instrucional”, pode criar um jogo chato, o excesso de preocupação em diversão pode criar algo que parece educacional, mas é apenas um passatempo superficial. Às vezes sinto falta de um estudo sobre possibilidades em termos de jogos, o mundo vai mais longe do que quizzes, jogos perguntas e respostas.
As boas surpresas
Ainda assim, vi exceções interessantes: Em alguns trabalhos é possível ver o impacto de um bom designer numa equipe de projeto. Enquanto em outros foi possível ver o impacto da ausência de um.
Também foi a oportunidade recompensadora de ver alguém projetar o uso educacional de um tipo de jogo completamente despretensioso. Às vezes, existem soluções belíssimas escondidas no óbvio sussurrante. Outra coisa legal foi ver gente de nível médio, menores de idade, que já tem capacidade de se apresentar num evento acadêmico com soluções a propor. São aquelas pessoas que me deixam curioso para ver como estarão daqui a uns vinte anos.
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