
O blog Link do Estadão publicou uma matéria sobre a indústria de games da Polônia. De um começo obscuro com a pirataria de jogos americanos contrabandeados para o outro lado da antiga cortina de ferro a cena de games polonesa evoluiu para um mercado pujante, com várias criações ousadas. Tanto que o último Game Awards, o ‘Oscar dos games’, de 2015 foi ganho pelo taciturno The Witcher. Até o Obama citou o jogo durante um discurso na Polônia.
De fato, os poloneses estão fazendo algumas coisas ainda mais interessantes. Enquanto no Brasil se faz jogos com temas estrangeiros, os poloneses têm focado muito em sua própria cultura como fonte de inspiração para seus jogos. Histórias baseadas em autores locais, mas mantendo algo de universal o suficiente para atrair jogadores mundo afora. A Polônia não é um país imenso, não é uma superpotência e esteve no meio de algumas das batalhas mais ferozes do século XX. Com o país sendo invadido, desmembrado algumas vezes e, consequentemente, milhares de histórias de sofrimento e resistência. E ainda assim eles não tem complexo de vira-lata. Não sei quanto a você, mas eu acho isso simplesmente admirável. A visão polonesa em relação à guerra e conflito me parece diferente da americana e isso fica bem claro nos jogos que vi,como o ThisWarofMine . O que acredito ser um reflexo de sua própria história.
Pessoalmente acho muito bom ver algo fora do circuito americano. Não que eu ache histórias sob uma ótica americana ruins, muito pelo contrário. Mas é a diversidade que torna o mundo um lugar interessante e torna a globalização algo realmente legal.
Outra característica interessante, provavelmente fruto de um mercado que ainda têm muito espaço para crescer, é que os estúdios não são tão competitivos quando os americanos. Assim, a troca de idéias ou mesmo eventual cooperação entre estúdios é mais frequente. Talvez seja a abordagem polonesa em relação a TI, vai saber.
Enfim, a cena de desenvolvimento de games da Polônia pode ser uma inspiração para os desenvolvedores brasileiros. Uma busca por algo de qualidade universal mantendo um tempero nacional que daria identidade própria à produção nacional.
Muito bom. Eu vejo que expressar a própria cultura de maneira interessante é um bom caminho. Quantos de nós não assistiram “o último dos moicanos”, “Pocahontas” ou similares… E ontem o Carlos Massa, em seu programa, falava na gente virar índio (brasileiro) pra só “dormir, caçar e beber pinga”… Vejo esforços de alguns designers de jogos em adaptar elementos do nosso folclore para jogos, mas ainda não encontrei um realmente interessante – talvez pelo design se prender em ser muito fiel, o que não foi o caso no exterior (como os elfos do Tolkien, que são bem diferentes dos elfos mitológicos, e as várias criaturas encontradas nos jogos de RPG). As próprias lendas se reinventaram através dos séculos (as sereias originais gregas eram metade gaivota, não peixe, até surgirem as mulheres-peixe mais modernas). Mas há um receio no reinventar e se perder a raiz…
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Um autor que gostei foi o Aydano Roriz um autor português que considera nosso período colonial tão interessante em termos de criação de histórias quanto o faroeste americano. Mas é precismo produzirmos mais, nos arriscarmos mais para chegarmos a ter massa crítica para produzir bons trabalhos usando o folclore e cultura local.
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