Dentre as propostas de jogos brasileiro, uma que eu vi bem pertinente foi a do jogo da Reforma Ortográfica. A proposta é oferecer uma opção interativa e divertida de aprender mais sobre as novas regras da língua portuguesa. O jogo usa a tecnologia flash e ficou leve para baixar e a dinâmica de jogo bem ágil, sem os tediosos tempos de carregamento. Enquanto a mecânica é parecida com a do MASTER da Grow, em que as respostas certas permitem o jogador avançar em um tabuleiro.
Por outro lado em termos educacionais, para variar, eu senti falta do reforço ao comportamento correto, quando o jogador acerta a resposta não há uma explicação do por quê da resposta estar certa. O jogador acaba de receber uma recompensa por acertar, isso o motiva e seria o momento perfeito para mostrar a regra gramatical que justifica o acerto. Isso sim seria reforçar o aprendizado. No caso do erro, pior ainda porque não se diz qual erro e nesse caso a pergunta é simplesmente repetida. Acaba sendo um incentivo ao chute. O legal seria o aluno ter um feedback de onde foi seu erro e responder uma pergunta similar e, aí sim, avançar. Existe uma proposta de interação no jogo e ela de fato ocorre, mas pessoalmente achei que o jogo poderia se aprofundar mais, puxar mais do jogador e oferecer mais também em termos de interatividade.
Essa limitação auto-imposta em termos de profundidade me lembrou o comentário de Ian Bogost sobre o polêmico jogo Bully, que o jogo era uma ótima oportunidade para refletir e discutirsobre a realidade social dentro das escolas americanas e o fenômeno do bullying, mas tanto os projetistas, quando defensores detratores do jogo passaram batido por esse aspecto.
Ainda que como designer eu compartilhe da idéia de que é melhor um projeto pequeno que funcione do que um projeto grande e pretensioso que nunca termina, acho que trabalhos bem feitos podem ousar mais e se propor a ir um pouco além em termos educacionais. Mas, quem sabe, estou apenas falando o óbvio e o competente pessoal da FMU já está andando com uma versão 2.0 contendo as melhorias que sugeri e outras coisas mais.
E claro, o jogo está disponível aqui.
Afinal projeto é assim, uma hélice que sempre sobe e gira, mas sempre melhora. De qualquer modo é um exemplo promissor do que uma faculdade e uma empresa de comunicação podem produzir juntas.
Muito legal essa idéia! E pode mesmo ser aperfeiçoada com explicações das causas de erros e acertos… em geral não se justifica acertos em área nenhuma… Nem se faz históricos de transformações que ocorreram até se chegar ao que hoje é considerado correto. Fica tudo meio “naturalizado”. Esse jogo seria uma boa oportunidade para se incentivar questionamentos. Botei fé!
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Sim, você pegou o ponto, que é a necessidade de haver mais feedback para o aluno/jogador, é nesta interação, nessa via de mão dupla entre o jogador e o jogo que reside o potencial da aprendizagem baseada em um jogo.
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