Aventuras literárias


fonte: Abipti

Provavelmente foi efeito de ler tanta ficção em 2020, especialmente depois ver a diversidade criativa dos autores de ficção científica e fantasia nacionais. Assim, inspirado por eles e meu interesse nos últimos anos pelo uso de narrativas como forma de divulgação científica. E por descobrir outros que pensam de forma semelhante. Resolvi participar do PRÊMIO ABIPTI DE LITERATURA. Uma iniciativa da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação (ABIPTI) para despertar e promover a produção de contos de ficção científica e ajudar a divulgar a ciência e tecnologia desenvolvida no país.

No caso estou participando com dois contos:

Escrever conto foi um desafio novo, mas interessante. Nos contos modernos mais do que criar contextualizações ou desenvolver a complexidade e enredo ou personagens, o objetivo é criar sensações no leitor. Para apimentar as coisas o limite de mil e quinhentas palavras tornou o trabalho um exercício de síntese e foco. Para ilustrar o como o simples está longe de ser fácil: Para escrever “De Marte a Humaitá” usei os livros Maldita Guerra e O Mapa Fantasma, os livros são riquíssimos e excelentes referências. Porém no meio do conto eu já estava batendo as três mil palavras, só o dobro do máximo permitido. O que mostrou, em primeira mão, algo que já li de escritores profissionais: que saber cortar é tão importante quanto saber escrever. Admito que foi um belo aprendizado, e esforço, voltar ao número correto.

Photo: Aranami via Shutterstock

No entanto, independente da minha colocação eu acredito que uma iniciativa como essa é excelente pelo que fomenta: curiosidade, estudo (mesmo ficção demanda algo de pesquisa) e criatividade. O gênero é riquíssimo em diversidade e permite muita coisa, o que pode tornar a literatura uma poderosa forma de promoção da ciência. O Yuval Harari em lições para o século XXI descreve bem sobre o poder das narrativas para unir as pessoas sobre uma mesma causa.

No caso desse concurso o objetivo de popularização da ciência fica claro quando o regulamento do concurso observa qualidades científicas e didáticas como itens de avaliação. Isso é uma forma de promover o interesse em ciência e, eventualmente, tornar as pessoas mais simpáticas a esse tipo de conteúdo. Algo especialmente necessário nesses tempos de negacionismo. Como observado pela Sybilla, a ficção científica nos leva a ver o mundo sob um outro olhar e ao fazer isso nos abrimos para pensar esse mundo de forma diferente. O que é a semente para inovações tecnológicas, sociais e culturais.

Uma triste ironia é que narrativas ficcionais são muito usadas por pseudociência em seu ramo mais paranóico. Se prestarem a atenção, em certos relatos sempre existe a teoria da conspiração ou o esforço da ciência tradicional em “esconder a verdade” para abafar uma pseudociência. Escolha o seu caso, sejam antivacinas, iluminatti, repitilianos ou qualquer outro. Esses caras aprenderam a fazer uso de narrativas. Não importa o conteúdo, as ferramentas para uma história convincente estão disponíveis desde os tempos de Sócrates.

No mais, peço que leiam e se gostarem, por favor, votem nos meus contos. O concurso vai selecionar por juri técnico e o desempate será por votação popular. É claro que, como todo mundo, eu também desejo ganhar. De qualquer modo, conseguir ficar entre os doze publicados já seria um resultado ótimo.

Atualização

O resultado do concurso saiu em 2/10/2020. Entre os 37 contos concorrentes meu conto “De Marte à Humaitá” ficou em oitavo e “Uma aventura em Perspectiva” foi o décimo segundo. Como as regras do concurso permitiam apenas um conto publicado por autor apenas um deles fará parte a antologia de contos publicada em 2020, creio que um dos objetivos do curso é dar espaço para novos escritores. De certa forma está perfeitamente dentro do ótimo resultado que eu gostaria. Mais que o resultado em si, isso abre caminho para novos trabalhos no futuro.

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