Carlos Alberto Witte

Meu pai é genealogista. Daí, talvez venha seu interesse pelas histórias das famílias. O Carlos Alberto é meu bisavô, avô paterno da minha mãe. Chamou a minha atenção ele ter falecido tão cedo, aos 45 anos. Também fiquei curiosa sobre o fato de meu bisavô ter morado em uma casa com um mini-zoológico!? Será que meu pai sabe mais sobre isso?

Carl Albert Witte, nascido em Bremen, Alemanha, 22.04.1867 e falecido no Rio de Janeiro, RJ, 09.02.1913, era filho de Heinrich Wilhelm Witte (negociante e cônsul honorário do Brasil em Bremen) e de Joaquina Carolina da Silva Machado (brasileira).

Casado em 01.06.1893 com Wilhelmine Auguste Giese (Guilhermina Augusta), teve quatro filhos – Hermínia Margarida (nascida em Bremen), Gustavo, Carlos Frederico e Maria Adelaide, nascidos no Rio de Janeiro.

Sentou praça, na Escola Naval, como Aspirante-à-Guarda-Marinha, a 28.02.1887.

Guarda-Marinha do Corpo da Armada (CA) em 24.11.1890 (4º lugar); confirmado GM em 02.04.1892; Segundo-tenente em 24.11.1892; Primeiro-tenente em 31.12.1898 (01.01.1899) e Capitão-tenente em 21.08.1901.

Participou da Revolta da Armada (do Almirante Saldanha da Gama); com a derrota dos revoltosos (fora refugiado político a bordo da corveta portuguesa Mindello, em 15.03.1894), asilou-se em navio de bandeira inglesa, com a sua família (mulher e filhos), indo para Bremen, Alemanha, para a casa de seus parentes, em Bremen-Häven.

Anistiado por Dec.nº 310, de 21.10.1895, volta ao Brasil e à atividade.

 Como 2º tenente, em 01.02.1896, recebe licença para embarcar em navios de comércio.

Reverte à ativa, como 2º tenente, em 21.12.1897, após 2 anos na reserva especial..

Em 21.08.1901 requer licença do serviço ativo, por tempo indeterminado, para empregar-se em navios de comércio (concedida em 21.08.1903); até falecer, exerce a atividade de capitão de longo curso.

Condecorado com a Medalha Militar de Bronze, com Passador de Bronze (10 anos de efetivo serviço) (após 1901).

Era fluente, ao que se saiba, em vários idiomas – português, francês, inglês e alemão.

Residia em Santa Teresa, na Rua Cristina, 83, onde faleceu, numa residência com um mini jardim-zoológico.

 

Clariêta de Araújo Lacerda

O primeiro post desse blog é sobre a vovó Clariêta. Na verdade, minha bisavó que não cheguei a conhecer. Acho que foi por pouco, pois ela morreu no ano em que nasci. A história que meu pai escrevei é quase toda nova para mim e a riqueza de detalhes me encantou. Por meio das palavras de meu pai, pude perceber que venho de uma família matriarcal. Sou descendente de uma mulher de personalidade forte, uma sagitariana que estava à frente de seu tempo.

Vovó Clariêta nasceu em ° Simonésia (ex-São Simão do Manhuaçu), MG, 03.12 1888 e faleceu em Barbacena, MG (CRC 1º S-D 45º, 119), 06.06.1968, filha de Modesto de Araújo Lacerda e de Amélia Dias Toledo.

Seu pai, Modesto, era advogado provisionado, político (republicano), professor, maçom, espírita kardecista, etc. Foi expulso de São Lourenço de Manhuaçu (atual Manhuaçu, MG), onde era vereador (por participar de uma revolta), com a família, indo para Barbacena (em 1892).

 Consta que sua mãe, Maria Amélia, com estudos muito além de sua época teria, durante um baile, sentido atração por Modesto: atravessou o salão e o tirou para dançar!?

Desta forma, vovó Clariêta viveu a vida toda em Barbacena.

Formada pela Escola Normal com pouca idade (ca.de 15 anos), casou-se em Barbacena, em 19.07.1907, com Átila Brandão da Cruz Machado, filho de um conceituado médico da cidade e neto do Visconde de Serro Frio, o senador Antônio Cândido da Cruz Machado (+ 1905), o qual tinha também 19 anos e não estudava ou trabalhava.

O casamento foi digno de nota: entre outros eventos, ele chegou num cavalo branco, ajaezado de prata, sendo a maior parte do enxoval do casal importado da França.

Logo após, vovó Clariêta vendeu parte do enxoval e o obrigou a se matricular no curso de odontologia no Colégio Americano (hoje Instituto Metodista) Granbery, em Juiz de Fora, MG, onde se formou.

Viúva em 1921 (o marido morreu com a gripe espanhola), com 32 anos e cinco filhos, vivia do magistério, onde sofria perseguição, pois escolas católicas não queriam aceitar professores espíritas. Devia ter problemas financeiros, pois ignoro se o marido havia deixado alguma pensão (era preparador químico do laboratório do Colégio Militar de Barbacena) e devia ganhar muito pouco como professora.

Culta para a época, escrevia muito bem, versada em pedagogia educacional e  dedicada ao estudo do kardecismo; educadora rigorosa, conduziu a educação dos filhos com êxito, os quais, segundo eu soube, eram uns “capetas”.

Assim, os filhos tomaram suas inciativas: Moacyr, em 1924, com 15 anos e licença da mãe, sentou praça no Exército; Oswaldo, em 1932, sentou praça no Exército, onde chegou a cabo telegrafista da Aviação Militar; Carlos Mário se formou em Farmácia, em Ouro Preto e com 18 anos, em 1933; Jayr foi levado para São Paulo, em 1919, pela sua tia Mariazinha e lá foi educado e viveu até 1928; Átila fez o tiro de guerra (1929) e, mais tarde, se tornou radiotelegrafista, indo para Leopoldina, MG.

Em 1934, sozinha (um filho morava no Rio de Janeiro, outro no Rio Grande do Sul, um em Leopoldina, MG, um em Petrópolis, RJ e o caçula viajando pelo Brasil) e vivendo com sua mãe viúva (desde 1916), aceitou se casar com Albertino de Araújo César (falecido em 1962), também viúvo e com filhos crianças, a fim de o ajudar na criação (esta união não envolveria nenhum contato físico!).